Quando o assunto é carro usado, a Bahia não está brincando. O estado fechou 2025 com 646.946 veículos usados e seminovos comercializados entre janeiro e dezembro, segundo dados da Fenauto, a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores. É o melhor resultado da série histórica do estado, com crescimento de 25,2% em relação a 2024, que já havia sido um ano fora do comum para o setor. E o mais impressionante é que 2026 começou ainda mais forte.
Os números que explicam o recorde
Em março de 2026, a Bahia registrou 54.031 transferências de veículos, crescimento de 26,2% em relação a fevereiro e avanço de 18,9% na comparação com março do ano anterior. O estado segue na liderança do Nordeste com folga, deixando Pernambuco e Ceará para trás no ranking regional da Fenauto. Não é coincidência, é resultado de um mercado que se profissionalizou, ganhou confiança do consumidor e encontrou o momento certo para crescer.
O cenário nacional também ajuda a entender o que está acontecendo. No primeiro trimestre de 2026, foram vendidos 3,5 carros usados para cada zero quilômetro comercializado no Brasil. Em um país onde o preço dos carros novos subiu de forma consistente nos últimos anos e o crédito ainda cobra caro pelo financiamento, o veículo usado deixou de ser segunda opção e virou escolha estratégica para milhões de brasileiros.
Por que o baiano está na frente
A Assoveba, associação estadual dos revendedores de veículos, tem papel central nesse desempenho. A entidade trabalha na qualificação das lojas multimarcas e na segurança das transações, o que aumentou a confiança do consumidor baiano na hora de fechar negócio. O resultado aparece nas vendas, mas também nos eventos do setor.
O Duelo dos Seminovos, feirão realizado regularmente em Salvador e na Região Metropolitana, virou referência no calendário automotivo baiano. A 31ª edição, realizada em Lauro de Freitas, comercializou 191 veículos em apenas três dias. Uma nova edição já está confirmada para junho em Salvador, no estacionamento do Assaí da Avenida Paralela, e a expectativa é de novo recorde.
Para o presidente da Assoveba, Ari Pinheiro Junior, o resultado é fruto de um trabalho contínuo de organização do setor. Segundo ele, a combinação entre lojistas qualificados, eventos bem estruturados e um consumidor cada vez mais informado criou um ecossistema favorável que outros estados do Nordeste ainda estão tentando replicar.
O que o soteropolitano está comprando
Os modelos mais procurados no mercado de carros usados em Salvador seguem o perfil nacional: compactos acessíveis com baixo custo de manutenção lideram em volume. Chevrolet Onix, Volkswagen Gol, Fiat Palio, Hyundai HB20 e Fiat Uno estão entre os mais negociados, segundo dados da Assoveba. São veículos que encaixam no orçamento de quem precisa de mobilidade urbana sem comprometer as contas do mês.
O perfil muda quando o orçamento aumenta. Especialistas do setor apontam que acima de R$ 80 mil a preferência do consumidor baiano migra claramente para os SUVs, com modelos como Jeep Compass, Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta dominando as buscas nessa faixa de preço.
O que esperar para o restante de 2026
As perspectivas são animadoras. O setor aposta em uma combinação de fatores favoráveis ao longo do ano: a expectativa de queda gradual da taxa Selic, que historicamente impulsiona o crédito e aquece o mercado de seminovos, o calendário eleitoral, que movimenta a economia de forma geral, e o impulso da Copa do Mundo, que estimula o consumo em diversas categorias.
Para quem está pensando em comprar carros usados em Salvador agora, a orientação dos especialistas é pesquisar com calma, comparar preços entre diferentes revendedoras e dar preferência a lojas associadas a entidades como a Assoveba. O selo de associado garante maior segurança jurídica na transação e padrões mínimos de qualidade no atendimento, reduzindo o risco de surpresas depois que as chaves trocam de mão.
Um recorde que veio para ficar
O desempenho da Bahia em 2025 não foi sorte nem sazonalidade. Foi o resultado de um mercado que amadureceu, de um consumidor que aprendeu a fazer escolhas mais inteligentes e de um setor que investiu em organização quando muitos esperavam retração. Com o primeiro trimestre de 2026 já superando as marcas do ano anterior, o recorde histórico pode durar menos tempo do que se imagina antes de ser quebrado de novo.

