Esta matéria faz parte da série especial sobre os grupos que fortalecem a cultura junina na cidade
Fernanda Amordivino
Fundado em 2016 pela enfermeira e professora universitária, Thaís Aragão, o Triângulo Dourado surgiu com a proposta de ser um grupo de forró ativo durante todo o ano. O coletivo, que passou a ocupar diversos espaços sociais e já recebeu dezenas de prêmios, tem se tornado uma referência na cultura da cidade.
Nesse contexto, o Forró Triângulo Dourado recebeu o troféu de “Agente de Transformação Social” por três anos seguidos, reconhecimento concedido pela associação Voz da Gente. O prêmio destaca iniciativas culturais com impacto direto nas comunidades do município.
“Nós já passamos por instituições como o Lar dos Idosos e o Grupo Bom Viver, sempre com a perspectiva de que o forró é para todas as idades. Também temos um compromisso com o lugar onde crescemos enquanto grupo. Por isso, atuamos em escolas da cidade e na UFRB”, destaca Thaís.

Para além das ações sociais, a fundadora acredita que o grupo ocupa hoje um papel essencial na preservação da cultura nordestina em Cruz das Almas.
“Eu sou suspeita para falar, mas considero o Triângulo indispensável para a cultura da cidade. Fomos um dos primeiros grupos a participar de festivais de dança pela Bahia, levando o nome de Cruz para fora. Somos um coletivo jovem, porém carregamos o forró e a cultura conosco para todos os espaços”, pontua.

Triângulo Dourado transforma paixão pelo forró em oportunidades e conexão
Os integrantes Ana Carla Novaes e Junior Souza, que participam do grupo há cerca de oito anos, afirmam que a experiência vai além das apresentações culturais, funcionando também como um espaço de convivência, amizade e fortalecimento de vínculos por meio do forró.
“Quando estou com o grupo, eu esqueço tudo e só vivo aquele momento. O forró é isso pra mim: meu porto seguro, um universo de sentimentos. E o Triângulo Dourado é minha segunda família”, afirma Ana Carla.
Ela também relembra que foi através do coletivo que conseguiu realizar um dos seus maiores sonhos.
“Quando dancei com Santanna, o Cantador, no Festival de Anguera, foi muito especial. Eu me segurei no palco, mantive o profissionalismo, mas chorei muito quando saí. Se não fosse o grupo, eu não teria realizado esse sonho”, afirma.

Nesse sentido, Junior também destaca que poder mostrar o trabalho do Triângulo em diferentes espaços é o que mais lhe causa orgulho.
“Apresentar a cultura do forró para as pessoas que ainda não conhecem, principalmente as mais jovens, é muito importante. Além disso, o Triângulo nos proporciona muitas experiências, como conhecer lugares, artistas e viajar fazendo aquilo que a gente ama”, pontua.
Desse modo, ele afirma que o que mais lhe motiva é a reação do público durante as apresentações.
“Muita gente que não sabe dançar forró fica encantada com a mesclagem de passos. A gente percebe o brilho no olhar do público. Isso nos incentiva muito a continuar propagando a nossa dança. Porque essa é a nossa essência: transmitir o forró com felicidade”.
Fundadora destaca orgulho de ver o grupo se consolidando como referência
Thaís Aragão relembra que, no início do projeto, muitas pessoas desacreditavam da proposta de manter um grupo de forró ativo durante todo o ano.
“Eu ouvi pessoas dizerem que isso era utopia, que eu era muito sonhadora. Só que eu acreditava que daria certo, mas precisava encontrar pessoas que pensassem como eu”.
Sendo assim, ao ouvir os relatos de Ana Carla e de Junior, ela percebe o alinhamento com a proposta inicial e afirma que valeu a pena perseverar. “Quando vejo que estamos sintonizados no mesmo pensamento, sinto muita gratidão. Afinal, somos um grupo que conversa, avalia e resolve junto. Isso é muito verdadeiro no nosso cotidiano”, diz.
Ao olhar para a trajetória do Triângulo Dourado, Thaís conta que o maior orgulho é ver o grupo crescer de forma sólida e transparente, sem abrir mão de seus princípios.
“Não precisamos mentir ou passar por cima de ninguém. Tudo o que a gente alcançou é mérito da nossa caminhada, e isso me deixa muito tranquila. Se eu saísse hoje, sei exatamente o que o Triângulo Dourado representa”, completa.
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