Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, Otto disse que talvez tenha colocado mal.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) causou polêmica durante a sessão desta semana da CPI da Covid ao fazer um comentário em relação aos chamados “médicos paliativistas” – aqueles responsáveis por diminuir a dor de pacientes acometidos por doenças sem cura. Ao longo do depoimento do diretor-executivo da Prevent Senior Pedro Benedito Batista Júnior, Alencar afirmou que o plano de saúde instituiu tratamentos paliativos de forma indiscriminada.

“Ouvi muitos médicos dizendo, confirmando que tiravam da UTI, botavam na enfermaria e faziam a ‘paliatização’. O seu hospital criou uma nova especialidade: ‘paliatistas’. E que iam para a bomba de morfina para sedar, para não sentir dor, ou para o sucedâneo da morfina”, disse Otto.

O INESCO e o Instituto PALLIARE de Londrina divulgaram nota em que repudiam veementemente as declarações feitas. “O senador refere-se aos Cuidados Paliativos como ‘especialidade macabra’, chama os paliativistas de ‘paliatistas’ e iguala as ações dos Cuidados Paliativos aos da eutanásia. Múltiplas evidências de ignorância, demonstrando que ‘macabra’ é essa concepção errônea, prestando, portanto, um desserviço ao movimento paliativista brasileiro e a todos os profissionais espalhados pelo território brasileiro envolvidos com esse importante trabalho”, critica.

As entidades afirmam ainda que “a temática dos cuidados paliativos vem sendo debatida mundialmente em inúmeros congressos internacionais, nos Estados Unidos, Europa e Ásia, e tem conceitos muito bem definidos, entre eles, o respeito à vida e à dignidade humana”. “Nesse sentido, esforços para ampliar o conhecimento e o acesso aos Cuidados Paliativos, são necessários em todas as frentes da sociedade, pautando-se sempre na saúde, no cuidado e na ciência”, finaliza a nota.

A Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) também reagiu à abordagem do parlamentar. “Segundo a Organização Mundial da Saúde, Cuidados Paliativos são ‘uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e seus familiares, que enfrentam doenças que ameaçam a vida. Previne e alivia o sofrimento através da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas físicos, psíquicos, sócio familiares e espirituais’”, afirmou a entidade.

“É uma atividade que merece respeito não só aos seus profissionais como, principalmente, aos pacientes que, ao serem atendidos por equipes comprometidas, são os maiores beneficiados, conforme apontam diversos estudos nacionais e internacionais”, declarou a ANCP.

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, Otto disse que não é contra tratamentos paliativos. “Eu não sou contra [cuidados paliativos], conheço profissionais do meu estado. Eu talvez tenha colocado mal. Na minha opinião, um doente que está em UTI e tem chance de vida, o corpo médico deve ir até o fim para salvar a vida dele. Ele só deve sair da UTI se estiver morto”, justificou.

Fonte: Tribuna da Bahia / Repost: Bahia Recôncavo

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