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Perto de 30% dos brasileiros possuem cinco ou mais cartões de crédito na carteira, e 34% dos consumidores afirmam utilizar a modalidade para, principalmente,  financiar compras no supermercado e de alimentação. Outros 18% contam ter quatro cartões; 23%, 3; e apenas 9%, “somente” um plástico.

Os dados constam da última pesquisa realizada pela Serasa eCred e ilustram bem um cenário de desequilíbrio das finanças domésticas das famílias –, ao passo que remetem para o aumento da inadimplência no país.  

Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), puxado pelo maior uso do cartão de crédito, abril bateu recorde, com 77,7% das famílias tendo fechado o mês com algum tipo de dívida, contra 77,5% em março.  

O estudo da Serasa eCred  ouviu 3.751 pessoas que tiveram limite aprovado para utilizar cartão de crédito nos últimos 90 dias, e foi realizada entre os dias 18 e 20 de abril. A Serasa eCred é um marketplace (plataforma) de empréstimo e cartão de crédito na internet, e reúne os principais bancos, fintechs e financeiras do país.

  Para o coordenador do Serasa, Thiago Ramos, o resultado da pesquisa não deixa de ser “surpreendente”, ao revelar que apenas “um a cada dez” consumidores possuem somente um cartão de crédito.  

“É uma disparidade, o brasileiro paga tudo com cartão, conta de consumo (água, luz e telefone), boleto, financia móveis. Também é preocupante, à medida que educação financeira nunca foi muito presente nos currículos escolares do país, e o resultado é que a maioria vive de malabarismo para fechar as contas. Um dos maiores juros são do cartão de crédito e do cheque especial, e o efeito é parecido com uma bola de neve”, afirma.  

Ainda de acordo com o levantamento da Serasa, na “escala de importância”, 15% dos entrevistados contaram usar o cartão para pagar contas em farmácias, 14% para a compra de eletrodomésticos. As demais despesas pagas com o cartão são roupas (11%), viagens (10%), e móveis (10%). Já o pagamento de boletos com cartão de crédito representa o menor percentual, de 6%.  

Ramos destaca que possuir vários cartões significa, muitas vezes, diferentes datas de vencimento de pagamento, a despesa com juros altos em caso de atraso; e que a partir daí é grande  o risco de endividamento. Ainda segundo ele, entre as dicas para fugir de um “descontrole”,  está um melhor “planejamento dos gastos”.  

“Independentemente se pagamento com cartão de crédito ou não, é muito importante anotar, em um caderno mesmo, tudo o que se recebe (renda) e tudo o que é gasto. Tem um dado interessante que é que, em março de 2021, 21% dos brasileiros estavam fazendo esse planejamento, e no mesmo período deste ano, o índice dobrou, chegando a 42%, com 53% percebendo que gastavam mais do que podiam ou necessitavam”.

Ainda segundo Ramos, com a crise sanitária, uma grande parte se viu quase que na obrigação de um “acompanhamento” mais fiel das próprias finanças. 

“O brasileiro precisou enxugar, para poder priorizar outras, como seguros, planos de saúde, serviços de educação, até mesmo tevê por assinatura”, conta.

Fonte: A Tarde

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