Líder de tráfico na Bahia, Dona Maria é presa em SP com integrante do PCC

Segurança
Dona Maria no Baralho do Crime (Foto: Divulgação)

Uma das maiores lideranças do tráfico de drogas na Bahia, Jasiane Silva Teixeira, de 30 anos, foi presa nesta quarta-feira (25) em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, junto com o também traficante Márcio Faria dos Santos, o Carioca, braço financeiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no Leste Paulista.

As informações são da Polícia Civil da Bahia, que realizou a operação com o objetivo de prender Jasiane, num trabalho em conjunto entre equipes da 9ª e 10ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Corpin), localizadas em Jequié e Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, e a Polícia Civil de São Paulo.

Jasiane estava escondida em São Paulo há pelo menos quatro anos e há poucos meses tinha comparecido a um aniversário de uma prima em Porto Seguro, extremo sul do estado. Em São Paulo, segundo a polícia, ela estava escondida em um imóvel de luxo em Biritiba-Mirim.

Além do tráfico de drogas, Jasiane, segundo a polícia, tem envolvimento com homicídios, corrupção de menores, roubos, falsificações, tráfico de armas, entre outros crimes. Natural de Vitória da Conquista, ela comandava uma facção atuante na região Sudoeste da Bahia, a Bonde do Neguinho (BDN), com ramificações nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Com três mandados de prisão, Jasiane figurava no Baralho do Crime da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) como “Dama de Copas”. A polícia informou que ela será trazida ainda esta semana para a Bahia, onde responderá pela extensa ficha criminal.

“Excelente trabalho de inteligência. É este tipo de resultado que coloca a polícia baiana entre as melhores do Brasil. Parabéns aos policiais civis. A população baiana agradece”, declarou o secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa.

Família de traficantes
Além de ser conhecida como Dona Maria, Jasiane era apelidada no mundo do crime como Tia. Ela é enteada de Antonilton de Jesus Martines, o Nenzão, um dos traficantes mais antigos da região Sudoeste do estado.

Ela foi presa em 2008 em flagrante, em Vitória da Conquista por tráfico de drogas e porte ilegal de arma junto com o então companheiro Bruno de Jesus Camilo, o Pezão, que é sobrinho de Nenzão. Em Vitória da Conquista, Jasiane cresceu no bairro Kadija, um dos mais violentos da cidade.

O mandado de prisão em aberto e que levou a polícia a prendê-la em São Paulo é referente ao assassinato do agente penitenciário Luciano Caribé, ocorrido em 2009, em Jequié.

Na época, Pezão estava preso no Conjunto Penal de Jequié e se desentendeu com o agente penitenciário. Ele e Jasiane, então, determinaram o assassinato, executado por dois comparsas que morreram em troca de tiros com a polícia dias após o crime. Jasiane já estava em liberdade e, segundo a polícia, colaborou com a ação criminosa, fornecendo as armas e apoio logístico aos executores.

Foto atual de Jasiane (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Logo após que Pezão conseguiu sair da prisão, o casal se mudou para o extremo sul da Bahia, de onde comandavam à distância o tráfico de drogas na região sudoeste do estado, com ordens para matar rivais na disputa por territórios.

Pezão morreu em 2014, durante confronto com policiais de Vitória da Conquista em Santa Cruz Cabrália, cidade vizinha a Porto Seguro. Jasiane estava presente, mas conseguiu fugir e assumiu a liderança da organização criminosa, que passou a ficar conhecida como BDN em referência ao principal gerente, Juarez Vicente Morais, o Neguinho.

Sem piedade
No comando do crime, Jasiane passou a atuar com impiedade pior que a de Pezão, executando rivais em qualquer local – e quem estivesse perto, sem poupar nem crianças, afirma a polícia.

Em novembro de 2016, por exemplo, ela ordenou que seu bando matasse todos que estivessem em uma festa realizada num bar que deu preferência a vender drogas da facção rival, comandada por Willians Alves de Souza Filho, o “Nem Bomba”, preso junto com a esposa Jaqueline da Silva Carvalho em setembro de 2018 em Vitória de Santo Antão (PE). No local havia mais de 20 pessoas.

A polícia, no entanto, frustrou a ação ao perceber a movimentação no local e seguir os traficantes. Quatro deles acabaram mortos em troca de tiros com a Polícia Civil quando chegaram à tal festa e desceram de um veículo Celta cinza de arma em punho.

A prima de um dos traficantes mortos esteve no local após o ocorrido e acabou presa. Ela tinha ido verificar o que ocorreu para depois passar ao BDN. À polícia, a mulher confessou todo o plano: matar geral.

Segundo informações da polícia, no mesmo ano em que foi colocada no Baralho do Crime da SSP, Jasiane se aliou Marreno e Zé de Lessa, líderes da facção Bonde do Maluco (BDM), uma das maiores da Bahia, e ao traficante Carioca, do PCC, com quem ela vivia atualmente.

Com novos aliados, Jasiane passou a comandar a distribuição de drogas e armas de grosso calibre para grande parte do estado da Bahia. Ela ficou responsável por intermediar a compra de armamentos, como fuzis e granadas, o que aumentou o poder de fogo dos comparsas da região sudoeste, Juarez Neguinho e Diogo Oliveira Campos, o Kiko, principais gerentes do tráfico na região e que estão foragidos.

Tráfico internacional
O poder de atuação de Jasiane cresceu ao ponto de ela passar a usar uma aeronave para fazer o transporte de armas e drogas para a região sudoeste. A aeronave, um bimotor, foi apreendida em 2018 com drogas e armas e fazia a rota entre Bolívia, Venezuela, Colômbia e Peru. Segundo a polícia, Jasiane é uma das operadoras da rota de internacional de drogas na Bahia.

Informações da Polícia Civil e do Ministério Público dão conta de que mais de 90% dos homicídios que ocorrem em Vitória da Conquista, Jequié e outras cidades de menor porte são ligadas à disputa pelo tráfico de drogas entre a facção de Jasiane e Nem Bomba.

Segundo dados do Atlas da Violência de 2019, com dados de 2017, Vitória da Conquista, cidade de 345 mil habitantes, terceira maior da Bahia, possui taxa de homicídios de 61,1 para cada 100 mil moradores, o que está seis vezes o considerado aceitável pelas Nações Unidas.

Taxas de homicídio acima de 10 por 100 mil habitantes são consideradas epidêmicas pela organização internacional. De janeiro a junho deste ano, ocorreram 62 homicídios dolosos em Vitória da Conquista. Em 2018 foram 168 crimes do tipo.

Dois são presos com mais de 60 kg de drogas, armas e munições em Conquista
Nesta quarta-feira (25), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu dois homens por crimes distintos durante fiscalização realizada no sudoeste do estado. As prisões foram registradas por volta das 10h30, no KM 836 da BR 116, trecho de Vitória da Conquista.

Durante fiscalização a um veículo de transporte de passageiros, os policiais encontraram no interior de uma bagagem de mão um revólver calibre 38, seis munições e 90 comprimidos de anfetamina (substância inibidora de sono, conhecida popularmente como “rebite”).

(Foto: Divulgação)

O motorista do veículo, um homem de 49 anos que não teve o nome revelado, assumiu a propriedade do material bélico e do medicamento, relatando não possuir autorização para porte, bem como receituário médico para uso.

Posteriormente, ao continuar as verificações, a equipe de policiais encontrou em uma mala de cor preta, 10 kg de crack, 5,4 kg de cocaína e 42 kg de maconha. Os ilícitos pertenciam a um homem de 37 anos, que seguia como passageiro do minibus modelo Fiat/Ducato para Campos do Brito, em Sergipe.

Os homens foram presos e encaminhados juntamente ao material apreendido à delegacia de polícia judiciária local onde poderão responder por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. A polícia não informou a qual facção criminosa eles são ligados.

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